Casal com filhos

Perguntas para fazer ao parceiro antes de ter filhos

Antes de um bebê, a gente fala de nomes e de carrinhos. As perguntas de verdade estão em outro lugar: quem levanta à noite, quem sai do trabalho quando a creche liga, como continuar sendo casal. Tirem uma carta e respondam a dois. Não para decidir tudo: para saber onde vocês estão, antes que o cansaço se meta na conversa.

A vontade de ter filho

Por que você quer ter um filho? Em uma frase.

Por que conversar antes?

Porque expectativas frustradas pesam muito. Um estudo americano acompanhou casais desde a gravidez do primeiro filho: os futuros pais se enganavam sobre a divisão dos cuidados com o bebê, e as mães esperavam do parceiro mais do que depois aconteceu. Era essa diferença, mais do que a divisão em si, que pesava no humor delas e no casal (Biehle e Mickelson, 2012).

Outro estudo, que acompanhou 156 casais, observou que a chegada de um filho acelera a queda da satisfação com o casamento, mesmo em casais felizes que tinham escolhido isso. Nos pais, uma gravidez planejada deixava a queda mais lenta (Lawrence et al., 2008).

Fazer essas perguntas não garante nada. Mas vocês sabem de antemão onde não concordam, e evitam muitas surpresas às três da manhã.

Os temas para conversar

Para cada um, algumas perguntas para começar a conversa. As outras estão nas cartas, no alto da página.

A vontade de ter filho

O ponto de partida, que muitas vezes a gente esquece de dizer em voz alta: por que, quantos, quando. E o que vocês fariam se não sair como o planejado.

  • Por que você quer ter um filho? Em uma frase.
  • Um filho, dois, mais? E com quanto tempo de diferença?
  • E se demorar, ou se não vier, como a gente viveria isso?

Quem vai fazer o quê

As noites, as licenças, as consultas: é aí que as expectativas frustradas mais doem depois do nascimento.

  • Como você imagina a divisão das noites?
  • Quem vai tirar qual licença, e por quanto tempo?
  • Quem vai pensar nas consultas, na creche, nas vacinas?

O dinheiro

Um bebê muda o orçamento: licenças, creche ou babá, às vezes a casa. Melhor conversar antes das contas.

  • Como a gente vê o nosso orçamento com um filho?
  • Creche, babá, avós: qual opção, e a que preço?
  • Em que você aceitaria economizar, e em que nunca?

O trabalho

Quem diminui o ritmo, quem sai mais cedo quando a creche liga: decisões que pesam por muito tempo, e muitas vezes mais para um do que para o outro.

  • Um de nós pensa em trabalhar menos? O que mudaria?
  • Quem vai poder sair mais cedo quando a creche ligar?
  • Qual seria o seu ritmo ideal para voltar ao trabalho?

Continuar sendo casal

Tempo a dois não se encontra, se toma. Melhor decidir antes como.

  • O que a gente quer manter de qualquer jeito da nossa vida a dois?
  • Como a gente vai guardar tempo só para nós?
  • Como a gente vai dizer as coisas um ao outro quando estiver exausto?

As famílias

Os avós, a maternidade, as visitas, os conselhos: o lugar de cada um se combina melhor antes.

  • Que lugar a gente quer dar aos nossos pais junto do bebê?
  • Como dizer não a um conselho que a gente não quer seguir?
  • E as visitas das primeiras semanas, como a gente organiza?

A educação

Não é preciso ter previsto tudo. Mas saber de onde cada um vem ajuda a decidir juntos.

  • Que valores você gostaria de passar primeiro?
  • Telas, açúcar, sono: você já tem princípios?
  • O que a gente vai fazer quando não concordar na frente da criança?

E se for difícil?

A pergunta que a gente não tem coragem de fazer, e a mais útil: como se apoiar quando as coisas vão mal.

  • Como a gente vai saber que um dos dois não está bem?
  • A quem a gente vai poder pedir ajuda?
  • Procurar um profissional se algo não for bem: isso é uma opção para você?

Como conversar sem transformar isso numa entrevista de emprego

  1. Um tema por noiteNão mais. O resto espera a semana que vem.
  2. Nenhuma resposta certaA gente descobre o que o outro pensa, não corrige.
  3. Anotar os desacordosNão para resolver na hora: para voltar a eles com a cabeça fria.
  4. Conversar de novo durante a gravidezAs respostas mudam quando o bebê fica real, e é normal. Tirem outra carta no terceiro trimestre.

E se vocês não concordarem?

É normal, e até útil: melhor descobrir um desacordo sobre as noites ou a creche agora do que às três da manhã. Alguns se resolvem numa conversa, outros precisam de tempo.

Se o que não é compartilhado é a vontade de ter filho, tirem um tempo para escutar as razões do outro. Um terapeuta de casal pode ajudar vocês a conversar sem se machucar.

As perguntas de vocês

Que perguntas fazer antes de ter filhos?

As mais úteis falam da vida depois do nascimento: a divisão das noites e das tarefas, as licenças e o trabalho, o orçamento e a creche, o lugar das famílias, a educação e o jeito de continuar sendo casal. A vontade de ter filho também merece ser dita em voz alta: por que, quantos, quando.

Como saber se estamos prontos para ter um filho?

Ninguém está totalmente pronto. O bom sinal é conseguir conversar juntos sobre os assuntos concretos, as noites, o dinheiro, o trabalho, sem que a conversa vire briga, e ter vontade de atravessar as dificuldades a dois.

Como conversar em casal sobre a vontade de ter filho?

Num momento tranquilo, sem pressão nem prazo imposto. Comecem pelo que cada um imagina, as vontades e os medos, antes de falar de datas. As cartas desta página podem servir de ponto de partida.

O que fazer se um quer ter filho e o outro não?

Escutar as razões do outro sem tentar convencer logo: medo, momento, dinheiro, história familiar. Deem tempo à conversa. Se vocês estiverem andando em círculos, um terapeuta de casal pode ajudar a conversar sobre isso.

É preciso esperar ter estabilidade financeira?

Não existe um limite mágico, mas um bebê muda o orçamento: licenças, creche, casa. Fazer as contas a dois antes ajuda a evitar tensões depois. As perguntas sobre dinheiro servem justamente para isso.

Quando fazer essas perguntas?

De preferência antes de tentar engravidar, e de novo durante a gravidez: as respostas muitas vezes mudam quando o bebê fica real. Não é uma prova para passar, é uma conversa para retomar.

Estudos e dados citados